segunda-feira, 12 de junho de 2023

 

Os Operários

 

 

A abelha fazendo mel

A senhora amassando o pão

Trabalha. Trabalha.

O mundo gira, a formiga corta folhas

O beija-flor beija as flores,

Poliniza e cumpre o seu papel na criação

Trabalha. Trabalha.

A borboleta enfeita o céu, depois da grande transformação.

A mariposa procura por luz,

A ostra produz pérola, depois de tanto se espremer e sofrer,

O homem prepara a terra para produzir alimentos.

Trabalha. Trabalha.

Expande e contrai.

Dorme, acorda e vai.

Ela arruma a cama, varre o chão, recolhe o lixo da geração.

Comanda o dia, e demanda a ação,

Vai para a cozinha, prepara as panelas e cozinha a ração do dia.

Trabalha. Trabalha.

O mundo não para, e não é permitido descer.

Cansada? Descansa.

Cochila e cai de lado.

Encontra o céu, mas divaga desdobrada na terra.

Balança nas ondas

E vai.... e vai....

Acorda cansada da peleia da noite.

Levanta, trabalha,

 

 

Que o mundo não para.

A roupa está suja, precisa de ser lavada,

E, enquanto esfrega, desabafa nas mãos calejadas,

As dores da alma.

E o cansaço nas articulações doridas,

e a tristeza no coração.

Lágrimas escorrem,

As águas que enxaguam a sujeira das roupas misturadas com o seu suor,

Escoam pelos ralos

Descem pelos esgotos

Correm para os ribeiros, e desaguam no mar.

E, enquanto trabalha, porque o mundo não para,

As cigarras cantam e o mundo encantam.

As dores nas juntas

O cansaço da vida

No corpo estala, a coluna desvia,

Enquanto o peso se acumula no lombo da “besta”,

carrega o fardo da humanidade vazia

Carente de sonhos

Cansada da vida

Com medo da morte

Procurando encontrar, se tiver sorte

O Deus invisível, onipotente e onisciente

Que possa salvá-la desse tormento

Das portas do purgatório

Arrebatá-la desse lugar escuro

E, enquanto espera...

 

Trabalha. Trabalha.

Não pense...não chore...

Esfrega aquela roupa

Manchada de nódoas de sangue

Enxágua, torce, retorce

Carrega, pendura,

O varal está cheio, mas a cabeça está vazia.

A barriga ronca. A garganta está seca,

O corpo transpira e o suor escorre,

Pelas faces, e pelo corpo todo

Chora, lamenta,

E deseja ardentemente que as horas passem.

O corpo cansado pede repouso.

Por um tempo, por uns dias,

Por um cochilo, um sono, um sonho.

Trabalha. Trabalha.

E enquanto descansa, trabalha

Cochila, descansa, trabalha,

Porque você sabe, o mundo não para,

Porque não existe comboio

E porque não pode descer

Nem tem onde descer.

 

Vera occhiucci

Agosto de 2022

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